From Category: assistindo

terça-feira, 26 de janeiro de 2021


Assisti essa série há alguns dias e ela não me sai da cabeça. Estou completamente apaixonada & obcecada por ela! Tenho essa mania de ficar obcecada com as coisas - e confesso que adoro quando isso acontece. Então vou compartilhar um pouco desse meu fascínio por essa série com vocês hoje. Estão prontos para essa jornada?

Vamos começar falando um pouco sobre a produção: quem criou a série foi o Jason Segel, ele mesmo, o Marshal de "How I met your mother". E na verdade se trata de uma minissérie, com 10 episódios disponíveis no Prime Vídeo, que foi inspirada no documentário "The Institute", de 2013. Te recomendo não pesquisar sobre esse documentário antes de ver a série, pode confiar. Aliás, recomendo que você se jogue nessa história sem olhar para os lados, sem saber nadica - ou quase nada.

Vou dar uma rápida sinopse, mas se você quiser pode pular essa parte e seguir para o próximo parágrafo, aproveitando a dica que dei ali em cima. A narrativa diferenciada nos conta a história de 4 personagens principais que se unem aleatoriamente para uma aventura maluca, confusa e com ares de teoria da conspiração. Essa é a melhor sinopse que posso dar e ainda assim, não é 1% do que a série representa.

Por que acredito que você deveria assistir Dispatches From Elsewhere? Vamos lá:

MOTIVO 1: SENSIBILIDADE

Para começar te convencer, vamos falar de sentimentos! Essa série esbanja sensibilidade e emoção. Sentimentos predominam do começo ao fim desses incríveis 10 episódios. Logo de cara já existe uma grande chance de rolar uma identificação forte com o personagem principal, o Peter (Jason Segel) e também no primeiro episódio existe uma grande chance de você ficar emocionado. Confuso & emocionado.

Tem uma cena nesse primeiro episódio que me pegou bem despreparada. Pude perceber ali, logo no começo, o quanto essa história seria poderosa e sensível. O que mais posso dizer? Se prepare para encarar de frente os seus sentimentos, eles certamente vão bater na sua porta.

MOTIVO 2: ARTE

Essa série tem uma relação intrínseca com arte. Sempre que paro pra pensar no TANTO que a arte representa dentro dessa narrativa, fico chocada. Especialmente porque sempre percebo algum elemento novo, algo que não havia notado. Tudo é arte ali. O Jason Segel (criador da série) inspira e exala arte a cada minuto. É lindo.

Para quem já é mais chegado no tema, esses elementos vão ecoar de um jeito forte, vão remexer as estruturas e trazer um montão de ideia, sentimento e reflexão. A vontade de criar chega com tudo, é muita inspiração. Para aqueles que não são muito artísticos, tenho certeza que vão ficar encantados com uma imersão tão significativa no mundo da arte e da criatividade.

MOTIVO 3: FILOSOFIA

Tenho pouquíssimo conhecimento na área de filosofia, mas estou lendo "No café existencialista" e estou me familiarizando com esse movimento filosófico. Por conta dessa leitura pude perceber vários elementos existencialistas nessa série e me encantei ainda mais!

Essa questão de que os seres humanos possuem total liberdade e são totalmente responsáveis pelos seus atos é algo muito presente nessa narrativa. Outra coisa que se faz perceber é justamente o medo e a angústia que vem de carona com toda essa responsabilidade e liberdade. O Jason Segel aborda todas essas questões profundas de um jeito que... ai ai, é lindo.

As reflexões do existencialismo se tornam uma ótima sinopse para essa série: a condição e existência humana, a liberdade e escolhas pessoais.


MOTIVO 4: ELEMENTOS FANTASIOSOS

Dispatches não se trata de uma fantasia, não no sentido convencional, mas é também sobre as fantasias que surgem no nosso cotidiano, aquela viajada na maionese que damos vez ou outra (ou sempre, no meu caso). Ou no sentido de "pera, isso real é ou é fantasia?".

Os elementos fantásticos e fantasiosos aqui são extremamente interessantes, nos instigam e nos deixam encantados. Tem esse aspecto do cotidiano, tem esse questionar da realidade - o que os personagens estão vivendo é uma fantasia ou é "real"? - mas também também tem uns momentos ali que a série coloca um pezinho de leve no sci-fi.

É uma viagem linda assistir essa série. Poderia falar de tanta, mas TANTA coisa.

MOTIVO 5: PENSAR SOBRE A EXISTÊNCIA

Uma das coisas que mais me chamou atenção ao assistir "Despachos de outro lugar" foi o tanto que pensei na minha vida. Pensei nas minhas escolhas e não escolhas, pensei no caminho que segui com a minha carreira, pensei no meu passado, presente e futuro, pensei sobre o que estou fazendo com meus dias, sobre a minha família. Cara, o negócio foi longe! É uma série totalmente reflexiva, ela te leva para dentro em vários momentos.

Além de tudo que comentei, a série também faz pensar sobre os medos, angústias, indecisões, ansiedade. É um pacote completo para o sentir e o pensar. Nem consigo expressar direito o quanto isso é incrível, sabe?!Só reforça a ideia de que entretenimento nunca será apenas entretenimento.

Essa série é uma jornada de autoconhecimento e acredito que qualquer caminho que nos faz conhecer mais sobre nós mesmos é algo que vale a pena.


Se tenho outros motivos para você assistir essa série? MUITOS OUTROS. Poderia ficar horas aqui escrevendo sobre todos eles, falando dos elementos sensoriais, falando da trilha sonora, do estilo de narrativa, do enquadramento, dos personagens em si (daria um livro pra cada um deles). Esse série é muito profunda, complexa, HUMANA. E o final vai CERTAMENTE te surpreender. Eu duvido alguém que falei:ah já sabia, super percebi que era aquilo que estava acontecendo! kkkk

Eu imaginei algo parecido, mas ainda assim aquele final me deixou totalmente EM CHOQUE! Na boa, se joga nessa série!


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quarta-feira, 21 de outubro de 2020



Esse mês estou lerda para filme, hein. 

Acabei entrando na vibe das séries e assisti um monte - foram 4  séries que comecei e finalizei! =O Por isso os filmes acabaram ficando de lado, mas agora que o mês está acabando quero correr atrás e separei 3 filmes para assistir nos próximos dias. São filmes novos no catálogo da Amazon Prime e da Netflix, então pode ser que você aproveite alguma dica. 

A Amazon Prime, em parceria com a Blumhouse, lançou uma antologia de filmes de terror chamada "Welcome to the Blumhouse". São 8 filmes no total, 4 deles já foram lançados e estão disponíveis na Amazon Prime, os outros estarão disponíveis ano que vem. Os primeiros 4 filmes são: Noturno, Mau-Olhado, Caixa Preta e Mentira Incondicional. Escolhi Noturno e Mau-Olhado para assistir nos próximos dias. 

Vamos começar por:

NOTURNO (prime vídeo)

Me interessei por Nocturne porque ouvi falar que ele lembra - assim, de longe - o filme "Cisne Negro". Adoro filmes que tenham música como parte importante da trama e nesse filme temos duas irmãs pianistas, sendo que uma delas é a garota popular da escola enquanto a outra é a mais tímida. Ambas querem entrar na Julliard - renomada escola de música - mas para isso, uma das irmãs vai mexer com forças sombrias, que obviamente trarão consequências horripilantes para sua vida. 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019


Vi muitos comentários negativos sobre Star Wars - A Ascensão Skywalker e, apesar de ter tentado não deixar esses comentários afetarem minha experiência, me vi na sala de cinema, minutos antes de começar o filme, com medo de que ele fosse realmente ruim como falaram.  

No entanto, quando aquela conhecida frase apareceu na telona, todo o receio se foi, meu coração disparou e não tive problemas para me entregar completamente à experiência. E já adianto que foi uma delícia, o coração ficou quentinho e o sorriso não saiu do rosto o filme inteiro.  

Antes de tudo, preciso dizer que entendo completamente quem não gostou, aliás, Star Wars vem causando desgosto para muitos fãs já tem um bom tempo. Mas hoje quero apenas falar das coisas boas, do quanto essa história tem um poder imenso e do quanto é importante enxergamos um pouco além de um roteiro que não nos agrada.  

RESILIÊNCIA


Uma das coisas que mais me chama atenção em Star Wars é a capacidade que os personagens tem de se adaptarem rapidamente à qualquer circunstância ao invés de simplesmente desistir (possivelmente o que boa parte de nós faríamos). Essa resiliência é transmitida do começo ao fim da saga, que tive o prazer de assistir novamente, e pude me emocionar com a força enorme que essa mensagem carrega. 

Essa característica tão marcante faz com que entreguemos nosso amor àqueles personagens e faz com que nossa esperança seja depositada neles com uma força incrível. Você já parou para perceber quais são os sentimentos que aparecem em você enquanto assiste Star Wars? É algo forte e especial.  

Eu sou completamente resiliente quando o assunto é Star Wars: nunca irei sair decepcionada e desgostosa do cinema porque esses filmes são mais do que filmes, são parte da minha história de vida, cresci assistindo e assistindo de novo, incansavelmente. Prefiro deixar meu lado muito crítico em casa, descansando. Presto mais atenção nos sentimentos, meus e dos personagens, nos olhares, nas pequenas frases, no bom-humor contagiante. Eu simplesmente adoro isso.  

Ter uma mensagem tão bonita em um filme de guerra nas estrelas é algo que faz bem pra alma, sabe?  


A TRAJETÓRIA DO FINN


Lembremos de tudo que aconteceu com nosso querido personagem Finn: ele foi criado para ser um Stormtropper, um ser-humano destituído de humanidade, alguém que esquece o significado de ser. No entanto, Finn descobriu que ele não era assim e nunca seria, conseguiu fugir da Primeira Ordem e logo em seguida conheceu Rey. Apesar do Finn não ter a intenção de lutar ao lado da Rey, pois ele queria mesmo era fugir da Primeira Ordem para todo o sempre e nunca mais ouvir falar nisso, ele sempre decide ficar e lutar. Se adapta à todas as circunstâncias, buscando salvar, ajudar, melhorar.  

Esse personagem é tão querido e tão cativante, nos faz lembrar de que a nossa vida é cheia de caminhos desconhecidos e até mesmo sombrios, no entanto, podemos aprender e crescer com todos eles.    


O EQUILÍBRIO


O bem e o mau, a escuridão e a luz, a força e a fraqueza. Ao assistir a saga podemos observar que a linha que divide todas essas coisas é muito mais tênue do que podemos imaginar. Em alguns personagens observamos isso com mais clareza e desenvolvimento, em outros não.  

Com isso surge a necessidade do equilíbrio, de se descobrir e se entender, para então se posicionar, para lutar por aquilo que está estampado na alma, mas que é difícil de enxergar.  

Clareza mental e equilíbrio, quem diria que poderíamos falar sobre isso e falar sobre Star Wars ao mesmo tempo, hein?! Isso está presente em todo o treinamento Jedi nos episódios anteriores e em uma das minhas cenas favoritoas da saga inteira:  
Primeira lição do Luke para Rey (episódio VIII)  
Ele diz:
- O que você vê?
Rey responde:
Vejo a ilha.Vida. Morte. Que alimenta mais vida.
Calor, frio, paz, violência.
- E entre tudo isso?
Equilíbrio, energia, uma força.
E dentro de você?
Dentro de mim essa mesma força. 

Essa cena é lindíssima, tem um força enorme para nos fazer enxergar a beleza da saga e nos conectarmos com a nossa essência humana.  

A TRAJETÓRIA DA REY


A pequena Rey foi vendida pelos pais, abandonada. Ela sofre com essas lembranças cruéis e espera que seus pais retornem para buscá-la. Para ganhar a vida em um planeta esquecido, ela é uma catadora de lixo - que sabe muito bem se defender sozinha de qualquer coisa - mas que nunca imaginou que seu destino lhe guardaria feitos tão grandiosos. Ela descobre que a Força é extremamente poderosa dentro dela, mas não basta apenas ter esse poder, é necessário encontrar um equilíbrio e saber utilizá-lo da melhor maneira.  

A mesma coisa serve para nós, meros mortais, que não temos a mesma Força que a Rey, mas temos uma força diferente, que também nos faz seguir em frente e alcançar grandes feitos. No entanto, nos falta o equilíbrio, ainda mais nos dias atuais em que existe tanto ruído, tanta coisa para nos atrapalhar e lançar a nossa clareza mental para o outro lado da galáxia.  

Mas assim como os personagens dessa saga querida, não podemos desistir jamais. Que a Rey e toda a saga de Star Wars nos inspire a buscar nosso equilíbrio e a entender a força que cada um de nós carrega dentro de si.


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domingo, 4 de agosto de 2019


Uma coisa é fato: precisamos de inspiração para voltar para a sala de aula. Não importa se você é aluno ou professor, se despedir das férias e dar boas-vindas a um novo semestre pode ser doloroso. E depois de muito sofrer, encontrei um jeito de começar o novo semestre de forma mais leve e mais animada: assistindo filmes sobre sala de aula, professores e escola. Parece loucura, mas super funciona comigo.

Nesse momento você pode pensar: meu deus, você é louca! Jamais assistiria um filme que me lembre da sala de aula durante as minhas férias. Entendo completamente, por isso, cá estou no começo de agosto te dando essas dicas para você assistir durante o mês. Que tal? E olha, não tem desculpa, agosto é o mês mais longo do ano e dá pra assistir tudo isso e mais um pouco. ;)

Separei 4 filmes e 2 séries de TV que abordam o tema da Educação, cada um com seu jeitinho especial e diferente, abordando assuntos que não se prendem unicamente à sala de aula, nos fazendo refletir sobre a vida e sobre a forma como agimos e olhamos para o outro. A ideia é inspirar, dar ânimo, força, consolo ou qualquer coisa que servir nesse momento tão difícil. Boa aula.

Filmes


Entre os muros da escola

François e os demais amigos professores se preparam para enfrentar mais um novo ano letivo. Tudo seria normal se a escola não estive em um bairro cheio de conflitos. Os mestres têm boas intenções e desejo para oferecer uma boa educação aos seus alunos, mas por causa das diferenças culturais - microcosmo da França contemporânea - esses jovens podem acabar com todo o entusiasmo. François quer surpreender os jovens ensinando o sentido da ética, mas eles não parecem dispostos a aceitar os métodos propostos.


A professora do jardim de infância

Lisa Spinelli é uma professora de Staten Island que é excepcionalmente dedicada a seu trabalho. Quando ela descobre que um de seus alunos de cinco anos é um prodígio, ela fica fascinada com o garoto e, em última instância, arrisca sua vida familiar e liberdade para nutrir seu talento



Adorável Professora

Linda Sinclair é uma professora de inglês solteira, que tem 40 anos e vive na pequena cidade de Kingston. Ela leva uma vida tranquila até reencontrar um antigo aluno, Jason Sherwood, que acaba de retornar a cidade. Jason tem o sonho de se tornar um grande autor teatral, mas está prestes a abandoná-lo devido a pressão de seu pai. Para ajudá-lo, Linda resolve encenar a peça escrita por Jason na escola em que trabalha. Só que a situação faz com que ela deixe sua zona de conforto, especialmente quando percebe que sente algo mais por Jason.


Palavras e Imagens

Jack Marcus é um ex-astro literário que batalha para manter seu novo emprego como professor de inglês em uma escola preparatória. Quando Dina Delsanto, uma pintora e professora de arte abstrata, chega no campus e faz com que as paixões de Jack, tanto por Dina quanto pela arte de escrever se revigorem. Com a avaliação de desempenho se aproximando, Jack tem a ideia de realizar uma competição entre seus alunos e Dina, uma batalha entre palavras e imagens, que ele espera inspirar as crianças e salvar seu emprego.

Duas séries de TV imperdíveis


Merli 

Merlí Bergeron é um professor de filosofia nada convencional que precisa reorganizar sua vida pessoal enquanto tentar de todas as formas mostrar para as pessoas a importância da filosofia. Para alguns parentes e colegas de trabalho, no entanto, ele é motivo de escândalo. Para seus alunos e seu filho gay, Merlí é uma inspiração. A série é uma produção espanhola com 3 temporadas disponíveis na Netflix. Assista pra ontem, combinado?



Rita 

Segue a vida de uma mulher muito sincera e rebelde, Rita Madsen, uma professora competente em sala de aula, mas que parece precisar de um professor para si mesma quando se trata da sua vida pessoal. É uma produção Dinamarquesa, com 4 temporadas já disponíveis na Netflix.


Espero que tenha gostado da listinha! São filmes inspiradores, para nos dar aquele ânimo e transformar nosso trabalho ao longo do semestre em inspiração também. Boa sorte com as aulas, te desejo um semestre incrível!

Aproveita e me conta qual teu filme favorito sobre educação, quero muito saber. E se você gosta do tema, recomendo dar uma olhada nessa listinha aqui. 



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sábado, 11 de agosto de 2018



Sempre gostei da sensação de ver um filme que não sai da cabeça. Você vai dormir pensando nele, acorda pensando nele, fala dele para todas as pessoas, lê sobre ele, respira ele. Quando um filme causa esse efeito em mim, imediatamente se torna um favorito absoluto, nada vai tirá-lo dessa glória. Recentemente assisti RAW e fiquei assim, num estado de felicidade e perturbação, querendo falar desse filme para qualquer pessoa minimamente disposta a ouvir. Que filme! 

Raw é criação da francesa Julia Ducournau, causou sentimentos intensos quando foi exibido no Festival de Toronto em 2016, levando algumas pessoas a desmaiarem enquanto assistiam ao filme. Claro que quando essa notícia bombou eu fiquei louca para ver o tal filme que deixou uma galera mal, porém na correria dos dias e diante de uma variedade enorme de filmes que sou louca pra ver, Raw foi esquecido. 

Por sorte, me lembrei dele e do seu histórico outro dia enquanto passeava no catálogo da Netflix, nem pensei duas vezes e me joguei. Que experiência maravilhosa! E não, eu não desmaiei, nem passei mal, tampouco achei forte o suficiente para tanto. É um filme intenso, extremamente incômodo, perturbador... e não foi feito para os sensíveis. Mas é um filme incrível do começo ao fim. A paleta de cores me deixava incomodada, a forma como os personagens agiam me deixaram louca da cabeça, o avental que eles usavam... AAAAA. Tudo ali incomodou e eu simplesmente amo isso. 

Acompanhamos a história de Justine, uma jovem que acaba de ingressar na faculdade de veterinária, mas logo nos seus primeiros dias já acontece algo que vai transformar a personagem para sempre: em um dos trotes ela é forçada a comer carne crua. Ah, e ela é vegetariana. Meu amigo, você nem sonha o que irá acontecer com essa guria depois disso! Ela descobre uma fome intensa dentro dela, algo profundo e assustador. Não quero entrar em muito detalhes, mas acho importante dizer que envolve canibalismo. 

Essa transformação da personagem me deixou passada, no chão. Que atriz magnifica! Ela transmitiu de forma perfeita tudo o que a personagem sentia, ela encarnou essa transformação e se entregou intensamente para aquilo. Sério, fiquei chocada com a atuação da Garance Marillier, é fora do comum. Ô bicha danada essa atriz. O contraste das cenas antes dela comer carne crua com as cenas que se desenvolvem depois... mano do céu, é intenso e incrível demais. O rosto da atriz se transforma, o olhar muda completamente. É um trabalho lindíssimo e só pela atuação da Garance já vale a pena o filme todo. 

Mas calma lá, Raw não exibe cenas fortes à toa. Tudo parece ter sido pensado e criado com uma atenção digna de grandes obras, conseguimos enxergar grandes questionamentos diante das atitudes dos personagens e cenas bizarras. O próprio poster carrega um questionamento interessante: você tem fome de quê? A Justine, uma jovem inocente e angelical, acaba indo parar em um lugar onde animais são abertos sem delongas e o sangue parece que ser um companheiro permanente. Ela não mais se vê como uma jovem inocente, muito menos angelical. Esse choque que todos levamos junto com a personagem diz muito, demonstra a passagem dolorida entre a adolescência e a vida adulta. E a fome incontrolável que cresce dentro da Justine também pode representar muitas coisas. É um filme cheio de significados e possibilidades de interpretações. 

Ao meu ver, o filme é sobre mudanças, transformações. Dá pra olhar para dentro e pensar sobre nós mesmos, dá para olhar pra fora e refletir sobre os caminhos alheios e como eles podem nos ajudar com o nosso próprio caminho. A Justine me fez pensar na minha transformação. Me transformei em quê quando cresci? O que aconteceu comigo nesse caminho todo? Quais foram as minhas escolhas? No quê estamos nos transformando? Estamos em constante mudança, isso é fato, e fomos apresentados a um mundo sujo, errado e incômodo. O que fizemos disso? Nem todos nós nos transformamos em canibais - ainda bem -  mas sempre há alguns desvios, sempre tomamos uma rota que nos faz sofrer. E tudo bem, a vida é assim. Porém, é sempre importante lembrar que nem tudo são rosas, nem sempre a felicidade reina, mas podemos sim deixar nosso mundo menos incômodo, menos sujo e menos errado. 

 Agora a pergunta que não quer calar: você tem fome de quê?



segunda-feira, 30 de julho de 2018

Arte de Mrs-Crocker

O teatro é sempre uma experiência incrível. Reconheço que preciso ir mais vezes, não vou tanto quanto gostaria e muitas vezes  acabado preferindo outra atividade pra gastar menos. Mas o teatro é uma arte fabulosa, que enche o coração de alegria, desperta uma emoção que estava enterrada em algum lugar profundo e dormente. Muitas vezes ir a uma exposição, ver um filme ou ouvir um belíssimo disco podem trazer essa emoção, mas já fazemos tanto essas mesmas coisas que precisamos reinventar, ver algo diferente.  

Era exatamente o que eu estava precisando e tive a oportunidade de ir assistir o musical O Fantasma da Ópera como convidada nesse último final de semana. Achei aquilo tudo um absurdo de lindo, o sorriso ganhou meu rosto o espetáculo inteiro, meu coração batia forte a cada nota, a voz dos atores me enchia de emoção e orgulho. Foi uma experiência linda. A peça está impecável e fantástica, pra dizer o mínimo. O figurino e o cenário dão um show a parte. É pra ficar babando mesmo. 

Eu sempre gostei muito do Fantasma da Ópera, especialmente pelas músicas, claro, sempre a música. Como vocês sabem, ou ficarão sabendo agora mesmo, a música é algo muito grandioso e importante pra mim. Sinto que não preciso de mais nada se tenho a música. Mas não é só a música que me agrada na história do Fantasma, o cenário da época também encanta muito. Adoro histórias do século XIX, elas me parecem ter um ar estranhamente mágico e sombrio. 

Depois de um tempo revendo o filme quis experimentar conhecer a obra original, o livro clássico do Gaston Lerroux. Confesso que não me cativou muito, passou um pouco batido. Talvez seja hora para uma releitura? Talvez. É normal algumas obras acabarem passando batido, depende muito do nosso momento, mas uma coisa é certa: ainda darei outra chance para esse clássico. 

Com relação aos personagens, existe um lance de amor e ódio. Eles me deixam louca com as suas atitudes: Christine claramente precisa de ajuda, está completamente perdida, vagando em um sonho nublado e estranho, não age como uma pessoa sã. Quando vi o filme pela primeira vez fiquei torcendo para que o Raoul tirasse ela dali o mais rápido possível! Do outro lado temos o próprio Fantasma, a criatura da noite, da escuridão, tão perdido quanto ela só que com um lado dark muito profundo. Ele quer aprisionar Christine, quer transformá-la em uma grande estrela da Ópera, completamente apaixonado, ele engana, faz chantagem, seduz a pobre alma perdida da Christine a fazendo acreditar que ele é o Anjo da Música, enviado pelo seu falecido pai. A fala da Meg (sua amiga bailarina) traduz tudo, foi um "acorda, querida" que a Christine não percebeu. 


Meg:

Christine, you must have been dreaming

Stories like this can't come true

Christine, you are talking in riddles

And it's not like you

Meg:
Christine, você deve ter sonhado,
Histórias assim não são reais.
Christine, está falando por enigmas,
E você não é assim.


Ao mesmo tempo que as atitudes dos personagens me deixam louca, uma parte de mim entende. A pobre Christine perdeu o pai e não tem muito o que esperar da vida, a música é que a faz continuar e o Fantasma é o único que lhe oferece isso. A criatura da escuridão, o Fantasma, também teve sua parcela de sofrimento, sua deformidade fez com as pessoas o tratassem como animal, filho do capeta etc, ele anseia por beleza, por uma vida normal, por um amor. Ou seja, muito difícil de se manter equilibrado com tudo isso rolando, não é mesmo?! Eu com meus problemas, muitas vezes mesquinhos, me sinto completamente perdida, imagina só! Por outro lado, podemos ver nessa história um reflexo sombrio de relacionamentos abusivos e é importante que as Christines por aí acordem desse sonho, que já se transformou em pesadelo. 

A carga dramática, a confusão, o terror do desconhecido, a energia contagiante da música, as mãos se entrelaçando, as vozes se completando, o amor não correspondido, o sofrimento, a dor... tudo isso compõem a história do Fantasma. É uma história grandiosa, tem uma beleza estonteante, que marca e faz pensar. O musical é uma experiência imperdível. Assim como o filme, se não viu ainda, veja, é incrível!



Arte de Mrs-Crocker




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