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| Arte de Mrs-Crocker |
O teatro é sempre uma experiência incrível. Reconheço que preciso ir mais vezes, não vou tanto quanto gostaria e muitas vezes acabado preferindo outra atividade pra gastar menos. Mas o teatro é uma arte fabulosa, que enche o coração de alegria, desperta uma emoção que estava enterrada em algum lugar profundo e dormente. Muitas vezes ir a uma exposição, ver um filme ou ouvir um belíssimo disco podem trazer essa emoção, mas já fazemos tanto essas mesmas coisas que precisamos reinventar, ver algo diferente.
Era exatamente o que eu estava precisando e tive a oportunidade de ir assistir o musical O Fantasma da Ópera como convidada nesse último final de semana. Achei aquilo tudo um absurdo de lindo, o sorriso ganhou meu rosto o espetáculo inteiro, meu coração batia forte a cada nota, a voz dos atores me enchia de emoção e orgulho. Foi uma experiência linda. A peça está impecável e fantástica, pra dizer o mínimo. O figurino e o cenário dão um show a parte. É pra ficar babando mesmo.
Eu sempre gostei muito do Fantasma da Ópera, especialmente pelas músicas, claro, sempre a música. Como vocês sabem, ou ficarão sabendo agora mesmo, a música é algo muito grandioso e importante pra mim. Sinto que não preciso de mais nada se tenho a música. Mas não é só a música que me agrada na história do Fantasma, o cenário da época também encanta muito. Adoro histórias do século XIX, elas me parecem ter um ar estranhamente mágico e sombrio.
Depois de um tempo revendo o filme quis experimentar conhecer a obra original, o livro clássico do Gaston Lerroux. Confesso que não me cativou muito, passou um pouco batido. Talvez seja hora para uma releitura? Talvez. É normal algumas obras acabarem passando batido, depende muito do nosso momento, mas uma coisa é certa: ainda darei outra chance para esse clássico.
Com relação aos personagens, existe um lance de amor e ódio. Eles me deixam louca com as suas atitudes: Christine claramente precisa de ajuda, está completamente perdida, vagando em um sonho nublado e estranho, não age como uma pessoa sã. Quando vi o filme pela primeira vez fiquei torcendo para que o Raoul tirasse ela dali o mais rápido possível! Do outro lado temos o próprio Fantasma, a criatura da noite, da escuridão, tão perdido quanto ela só que com um lado dark muito profundo. Ele quer aprisionar Christine, quer transformá-la em uma grande estrela da Ópera, completamente apaixonado, ele engana, faz chantagem, seduz a pobre alma perdida da Christine a fazendo acreditar que ele é o Anjo da Música, enviado pelo seu falecido pai. A fala da Meg (sua amiga bailarina) traduz tudo, foi um "acorda, querida" que a Christine não percebeu.
Meg:
Christine, you must have been dreaming
Stories like this can't come true
Christine, you are talking in riddles
And it's not like you
Meg:
Christine, você deve ter sonhado,
Histórias assim não são reais.
Christine, está falando por enigmas,
E você não é assim.
Ao mesmo tempo que as atitudes dos personagens me deixam louca, uma parte de mim entende. A pobre Christine perdeu o pai e não tem muito o que esperar da vida, a música é que a faz continuar e o Fantasma é o único que lhe oferece isso. A criatura da escuridão, o Fantasma, também teve sua parcela de sofrimento, sua deformidade fez com as pessoas o tratassem como animal, filho do capeta etc, ele anseia por beleza, por uma vida normal, por um amor. Ou seja, muito difícil de se manter equilibrado com tudo isso rolando, não é mesmo?! Eu com meus problemas, muitas vezes mesquinhos, me sinto completamente perdida, imagina só! Por outro lado, podemos ver nessa história um reflexo sombrio de relacionamentos abusivos e é importante que as Christines por aí acordem desse sonho, que já se transformou em pesadelo.
A carga dramática, a confusão, o terror do desconhecido, a energia contagiante da música, as mãos se entrelaçando, as vozes se completando, o amor não correspondido, o sofrimento, a dor... tudo isso compõem a história do Fantasma. É uma história grandiosa, tem uma beleza estonteante, que marca e faz pensar. O musical é uma experiência imperdível. Assim como o filme, se não viu ainda, veja, é incrível!
Arte de Mrs-Crocker
segunda-feira, 23 de julho de 2018
Eu sempre tive uma quedinha por livros, não posso negar. E isso me fez conhecer e entender tanta coisa, fico tentando imaginar como seria a Rita se não fosse essa paixão por livros. Gosto de me imaginar completamente diferente do que sou, em todos os aspectos possíveis, brincando com a ideia do multiverso. Enquanto fazia isso outro dia percebi que só imaginava eu mesma em versões piores. Fiquei um tempo embasbacada pensando: WHAT THE FUCK? E só depois (até porque sou lerda mesmo) cheguei numa boa conclusão.
Quando estou sonhando acordada, imaginando o meu futuro para essa minha vida, para essa Rita que vos fala, só imagino coisa boa. Claro, quero e mereço o melhor, não é mesmo?! Mas quando entro nessa piração de me imaginar em um universo completamente diferente, só vem coisa ruim. Cenários catastróficos, acontecimentos terríveis e por aí vai. Dessas coisas ruins todas acabei me deparando com algo bom: percebi que a vida que eu tenho aqui e agora é muito FODA. Agradeci ao universo por tudo que eu tenho, sem ficar viajando e pensando nas coisas que eu não tenho, simplesmente parei pra pensar no quanto minha vida é boa pra caralho, bem aqui nesse universo. Foda-se os outros universos (acredito que eles estão lá e que realmente existem várias versões de mim, mas foda-se eles) quero observar o meu caminho bem aqui onde estou, quero agradecer as coisas que conquistei. Cara, já parou pra pensar que a gente não agradece com a mesma frequência que reclama ou que deseja outras coisas? Vamos começar a fazer isso, galera.
Porra. Tive que me imaginar em 30 versões piores para chegar a essa conclusão? Parabéns, Rita.
Mas fica a experiência: se imagine em mil versões diferentes e observa o que surge na tua mente. Coisas boas e ruins aparecerão com certeza, talvez mais coisas ruins do que boas, se for o caso agradeça a sua vida no aqui e agora. Se não for o caso, agradeça também.
Enquanto tu pensa aí na vida, ouve essa playlist MARA que tem tudo a ver:
Arte Damian Gorny
Enquanto tu pensa aí na vida, ouve essa playlist MARA que tem tudo a ver:
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