segunda-feira, 30 de julho de 2018



Desde que me lembro por gente eu lia Young Adult, ou Jovem Adulto. O único caminho que não peguei foi o de ler Harry Potter, mas explico esse rolê em outro post. Eu passei a minha adolescência inteira com livros, especialmente com livros que dialogavam com essa fase da vida e hoje percebo que cada um deles foi importante, até mesmo Crepúsculo (é, pois é). Ter lido O morro dos ventos uivantes e depois Jane Eyre, dois livros que amo loucamente, foi culpa da Stephenie Meyer. Inclusive, preciso reler esses clássicos porque li naquela fase de adolescência fervorosa, talvez hoje tenha uma outra visão, especialmente de O morro dos ventos uivantes

No entanto, passaram-se os anos e fui me distanciando das minhas leituras Young Adult. Hoje em dia trabalho com adolescentes e confesso que às vezes assistir ou ler coisas que envolvem adolescentes me cansa e me irrita um pouco. Achei que por trabalhar com eles eu iria querer me envolver muito mais nesse universo, mas quando eu chego em casa, juro, não quero saber mais de adolescentes. E por causa disso lá estava eu, torcendo meu narizinho pro gênero YA. Mas... parece que o jogo virou! Recentemente li The rest of us just live here do Patrick Ness e fiquei completamente apaixonada! Encantada! Empolgada! Emocionada! Bom... vocês entenderam. 

Isso foi um belíssimo woooow na minha cabeça, pois meu nariz destorceu. Parei para pensar em toda a minha experiência com o gênero e principalmente, parei para refletir no que eu senti enquanto lia esse livro que tanto me cativou. Percebi que pude me conectar e me identificar perfeitamente com os adolescente da história, assim como me identifico e me conecto com meus alunos doidos que gosto tanto. 

Podemos até pensar que saímos da adolescência, mas ela não saiu da gente. Consigo lidar muito melhor com as questões que surgem na minha vida hoje do que há 10 anos atrás, mas em tantos aspectos ainda sou uma moleca, uma adolescente, uma pessoa em pleno desenvolvimento. Somos todos, imagino. Cometo erros, as vezes surto, piro na batatinha, continuo amando filmes de terror, faço cagada atrás de cagada, ou seja, a adolescência não saiu de mim (risos, nervosos). A real é que ninguém é perfeito e a plenitude não tá fácil no momento. O que mais vejo por aí são adultos completamente paranoicos, sofrendo com ansiedade, baixa auto-estima e uma série intensa e longa de outros eventos que só nos carregam mais e mais para o fundo do poço. 

De uma vez só tudo isso me veio a mente, percebi que estive perdendo meu tempo enquanto não curtia a experiência de ler livros desse estilo. Eles tem um potencial enorme para nos ajudar. Independente da idade, todos nós podemos estar no fundo do poço, ou perto, e esses livrinhos podem nos ajudar a ir subindo, aos poucos. E é assim que as coisas importantes da nossa vida acontecem, aos poucos. 

Com certeza vocês verão muitos livros Young Adult aparecerem por aqui, ainda bem que mudamos, ainda bem que nos permitimos mudar.  ❤️ 



Arte de Mrs-Crocker

O teatro é sempre uma experiência incrível. Reconheço que preciso ir mais vezes, não vou tanto quanto gostaria e muitas vezes  acabado preferindo outra atividade pra gastar menos. Mas o teatro é uma arte fabulosa, que enche o coração de alegria, desperta uma emoção que estava enterrada em algum lugar profundo e dormente. Muitas vezes ir a uma exposição, ver um filme ou ouvir um belíssimo disco podem trazer essa emoção, mas já fazemos tanto essas mesmas coisas que precisamos reinventar, ver algo diferente.  

Era exatamente o que eu estava precisando e tive a oportunidade de ir assistir o musical O Fantasma da Ópera como convidada nesse último final de semana. Achei aquilo tudo um absurdo de lindo, o sorriso ganhou meu rosto o espetáculo inteiro, meu coração batia forte a cada nota, a voz dos atores me enchia de emoção e orgulho. Foi uma experiência linda. A peça está impecável e fantástica, pra dizer o mínimo. O figurino e o cenário dão um show a parte. É pra ficar babando mesmo. 

Eu sempre gostei muito do Fantasma da Ópera, especialmente pelas músicas, claro, sempre a música. Como vocês sabem, ou ficarão sabendo agora mesmo, a música é algo muito grandioso e importante pra mim. Sinto que não preciso de mais nada se tenho a música. Mas não é só a música que me agrada na história do Fantasma, o cenário da época também encanta muito. Adoro histórias do século XIX, elas me parecem ter um ar estranhamente mágico e sombrio. 

Depois de um tempo revendo o filme quis experimentar conhecer a obra original, o livro clássico do Gaston Lerroux. Confesso que não me cativou muito, passou um pouco batido. Talvez seja hora para uma releitura? Talvez. É normal algumas obras acabarem passando batido, depende muito do nosso momento, mas uma coisa é certa: ainda darei outra chance para esse clássico. 

Com relação aos personagens, existe um lance de amor e ódio. Eles me deixam louca com as suas atitudes: Christine claramente precisa de ajuda, está completamente perdida, vagando em um sonho nublado e estranho, não age como uma pessoa sã. Quando vi o filme pela primeira vez fiquei torcendo para que o Raoul tirasse ela dali o mais rápido possível! Do outro lado temos o próprio Fantasma, a criatura da noite, da escuridão, tão perdido quanto ela só que com um lado dark muito profundo. Ele quer aprisionar Christine, quer transformá-la em uma grande estrela da Ópera, completamente apaixonado, ele engana, faz chantagem, seduz a pobre alma perdida da Christine a fazendo acreditar que ele é o Anjo da Música, enviado pelo seu falecido pai. A fala da Meg (sua amiga bailarina) traduz tudo, foi um "acorda, querida" que a Christine não percebeu. 


Meg:

Christine, you must have been dreaming

Stories like this can't come true

Christine, you are talking in riddles

And it's not like you

Meg:
Christine, você deve ter sonhado,
Histórias assim não são reais.
Christine, está falando por enigmas,
E você não é assim.


Ao mesmo tempo que as atitudes dos personagens me deixam louca, uma parte de mim entende. A pobre Christine perdeu o pai e não tem muito o que esperar da vida, a música é que a faz continuar e o Fantasma é o único que lhe oferece isso. A criatura da escuridão, o Fantasma, também teve sua parcela de sofrimento, sua deformidade fez com as pessoas o tratassem como animal, filho do capeta etc, ele anseia por beleza, por uma vida normal, por um amor. Ou seja, muito difícil de se manter equilibrado com tudo isso rolando, não é mesmo?! Eu com meus problemas, muitas vezes mesquinhos, me sinto completamente perdida, imagina só! Por outro lado, podemos ver nessa história um reflexo sombrio de relacionamentos abusivos e é importante que as Christines por aí acordem desse sonho, que já se transformou em pesadelo. 

A carga dramática, a confusão, o terror do desconhecido, a energia contagiante da música, as mãos se entrelaçando, as vozes se completando, o amor não correspondido, o sofrimento, a dor... tudo isso compõem a história do Fantasma. É uma história grandiosa, tem uma beleza estonteante, que marca e faz pensar. O musical é uma experiência imperdível. Assim como o filme, se não viu ainda, veja, é incrível!



Arte de Mrs-Crocker




segunda-feira, 23 de julho de 2018


Eu sempre tive uma quedinha por livros, não posso negar. E isso me fez conhecer e entender tanta coisa, fico tentando imaginar como seria a Rita se não fosse essa paixão por livros. Gosto de me imaginar completamente diferente do que sou, em todos os aspectos possíveis, brincando com a ideia do multiverso. Enquanto fazia isso outro dia percebi que só imaginava eu mesma em versões piores. Fiquei um tempo embasbacada pensando: WHAT THE FUCK? E só depois (até porque sou lerda mesmo) cheguei numa boa conclusão. 

Quando estou sonhando acordada, imaginando o meu futuro para essa minha vida, para essa Rita que vos fala, só imagino coisa boa. Claro, quero e mereço o melhor, não é mesmo?! Mas quando entro nessa piração de me imaginar em um universo completamente diferente, só vem coisa ruim. Cenários catastróficos, acontecimentos terríveis e por aí vai. Dessas coisas ruins todas acabei me deparando com algo bom: percebi que a vida que eu tenho aqui e agora é muito FODA. Agradeci ao universo por tudo que eu tenho, sem ficar viajando e pensando nas coisas que eu não tenho, simplesmente parei pra pensar no quanto minha vida é boa pra caralho, bem aqui nesse universo. Foda-se os outros universos (acredito que eles estão lá e que realmente existem várias versões de mim, mas foda-se eles) quero observar o meu caminho bem aqui onde estou, quero agradecer as coisas que conquistei. Cara, já parou pra pensar que a gente não agradece com a mesma frequência que reclama ou que deseja outras coisas? Vamos começar a fazer isso, galera. 

Porra. Tive que me imaginar em 30 versões piores para chegar a essa conclusão? Parabéns, Rita.

Mas fica a experiência: se imagine em mil versões diferentes e observa o que surge na tua mente. Coisas boas e ruins aparecerão com certeza, talvez mais coisas ruins do que boas, se for o caso agradeça a sua vida no aqui e agora. Se não for o caso, agradeça também.

Enquanto tu pensa aí na vida, ouve essa playlist MARA que tem tudo a ver:



Arte Damian Gorny


Estar de férias é algo abençoado. Eu sempre gostei de entrar de férias, quando era criança/adolescente lembro de gostar de ficar em casa, sozinha no meu cantinho com as minhas coisas. A leitura sempre fez parte desse meu universo, portanto, sempre tinha algo pra fazer. E continuo tendo, mas mudei, cresci e minha relação com o tempo também mudou. Hoje em dia acho que os dias passam correndo demais e meio que me sinto na obrigação de correr junto. Um erro.

Nessas férias fui viajar para Montevidéu e foi incrível conhecer um pouco mais do Uruguay, aprendi tanta coisa! Aprendi inclusive que devo fazer tudo com mais calma. O povo de lá tem costumes bem diferentes do nosso, claro, mas o que mais me chamou atenção foi o ritmo deles, algo suave e equilibrado. Voltei pra SP sentindo uma falta imensa dessa suavidade nos meus dias, já voltei tendo que correr e trânsito e loucura e tudo acontecendo ao mesmo tempo. Wow. Foi aí que buguei. Já andava meio cansada de certas coisas, isso inclui redes sociais, e essa viagem me fez voltar com coragem para dar uma pausa. Pausei. 

E mesmo agora, que já voltei a ativa nas redes sociais, posso dizer que continuo me sentindo nessa pausa. Eu procuro não estar tão conectada no celular, quero estar conectada comigo mesma. Quando percebo que estou tempo demais no Instagram ou no Twiter, opa, deixo o celular de lado e pego um livro. Assim, aos poucos, vou quebrando esse ritmo frenético e tentando trazer uma atmosfera mais positiva para os meus dias.

Estar de férias ajuda muito, mas o desafio de verdade vai começar quando eu voltar pra escola, voltar pro trabalho. O cansaço que dar aula traz para o meu corpo e mente me incentiva a ficar tempos infinitos no celular. Faz sentido, eu entendo que estou cansada e preciso de um tempo, mas que tal tentar esvaziar a mente com algo que realmente vai fazer bem? Quero investir nisso. Preciso investir nisso. E com esse texto espero incentivar alguém a olhar pra dentro, tentar entender o que está rolando e buscar melhorar. 

Buscar melhorar é o podemos fazer de mais incrível para nós mesmos, e consequentemente, para os outros também. 

Uma playlist para o momento:



sábado, 21 de julho de 2018


Oi.
Bem-vindo ao meu novo cantinho. Se aconchegue.

Ao longo dos anos já tive tantos blog, me aventurei por tantos espaços, sempre falando de música. Não no meu último blog, lá o meu foco era compartilhar as leituras, talvez você até conheça o Cheirando Livros. Esse foi meu relacionamento mais lindo e duradouro, no entanto, não estou com a mesma empolgação de sempre, estava querendo mudar, querendo algo novo, algo que combinasse mais com quem eu sou nesse momento e com as minhas vontades. 

Provavelmente esse cantinho também tem um prazo de validade. Não tenho dúvidas de que um dia irei cansar e querer algo novo, mas sabe, eu vejo uma beleza tão grande nisso. Gosto de pensar que não existe um fim, tudo é um eterno recomeço. O filme acabou: posso rever ou posso assistir de novo. O relacionamento se esgotou: outros amores e desamores virão. A amizade se desfez: pessoas novas aparecerão. E assim vai, em um loop frenético até o dia que a morte chegar. Se quisermos ir além podemos até pensar que existe um outro caminho a seguir depois que o corpo para de funcionar.

Enfim, tudo isso pra dizer que eu amo recomeços. Me sinto disposta, com uma nova energia e com novas ideias. O Cheirando Livros me trouxe um milhão de coisas boas e aprendi muito com toda a minha experiência por lá, mas talvez tudo aconteceu para eu estar justamente aqui. 🤔

Espero que goste da casa nova, estou arrumando os móveis e reorganizando algumas coisas, pensando na decoração, mas sinta-se a vontade, pode chegar, nem precisa bater. Já já colocarei o café na mesa.

Espero ter sua companhia. 

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